março 17, 2026

IFRS9: o que muda para bancos, fintechs e operações de crédito

Um novo marco para a contabilidade e o crédito  

No início de 2025, entrou em vigor o cronograma de incorporação do IFRS9 no capital regulatório brasileiro, representando um marco de modernização e transparência nas operações financeiras.  
A norma, que substitui o antigo IAS 39, redefine a maneira como bancos, fintechs, SCD’s e instituições financeiras mensuram e reconhecem riscos de crédito, tornando o sistema contábil mais alinhado às práticas internacionais e à realidade econômica de cada ativo.  

Mais do que uma atualização técnica, o IFRS9 simboliza uma mudança de mentalidade: sai o modelo de perdas incorridas e entra o modelo de perdas esperadas, que antecipa cenários e exige integração total entre áreas contábil, de risco e tecnologia.    

O que é o IFRS9 e por que ele é importante  

O International Financial Reporting Standard 9 (IFRS9) é a norma internacional de instrumentos financeiros que define como ativos e passivos devem ser classificados, mensurados e provisionados.  
Aplicada desde 2018 em diversos países, sua adoção no Brasil pelo Banco Central reforça a busca por um mercado mais confiável, auditável e comparável.  

Entre suas principais inovações, destacam-se:  

  • Classificação e mensuração de ativos financeiros com base em três categorias:  
  • Custo amortizado;  
  • Valor justo por meio de outros resultados abrangentes (VJORA);  
  • Valor justo por meio do resultado (VJR).  
  • Novo modelo de impairment baseado em perdas esperadas (Expected Credit Loss – ECL), com estágios progressivos de risco.  
  • Abordagem aprimorada para hedge accounting, que aproxima a contabilidade das práticas de gestão de riscos.  

Segundo a PwC Brasil, o IFRS9 traz um modelo mais próximo da realidade econômica das instituições, integrando risco, concessão, precificação e capital em uma estrutura unificada.  

  

Modelo de perdas esperadas: a principal mudança  

A grande transformação do IFRS9 está na forma como as perdas são reconhecidas.  
Antes, as instituições provisionavam apenas perdas incorridas. Ou seja, quando o evento de inadimplência já havia ocorrido.  
Agora, o modelo de perdas esperadas (Expected Credit Loss – ECL) exige que a instituição antecipe o risco com base em cenários macroeconômicos, histórico de crédito e probabilidade de default (PD).  

Os três estágios do modelo de perdas esperadas  

  1. Estágio 1: ativos sem problema de recuperação:  
  1. Perdas de 12 meses desde o reconhecimento inicial;  
  1. Atrasos inferiores a 30 dias.  
  1. Estágio 2: ativos com aumento significativo do risco de crédito:  
  1. Perdas mensuradas pela vida total do ativo;  
  1. Atrasos acima de 30 dias ou deterioração na qualidade do crédito.  
  1. Estágio 3: ativos com problema de recuperação (impaired):  
  1. Perdas mensuradas pela vida total;  
  1. Atrasos acima de 90 dias ou indicadores qualitativos de inadimplência.  

Essa estrutura cria uma visão gradual e dinâmica do risco, em que cada ativo pode migrar de estágio conforme sua evolução, permitindo uma gestão mais precisa das provisões.    

Convergência com o Banco Central e o impacto regulatório  

O Banco Central do Brasil (BACEN), por meio dos Editais nº 54/2017 e nº 60/2018, iniciou o processo de convergência da regulação contábil nacional às normas internacionais.  
A partir dessa adoção, as instituições autorizadas passam a seguir critérios mais rigorosos para mensurar perdas, mitigar riscos e calcular o capital de nível 1 (CET1).  

Principais impactos da convergência:  

  • Aumento da provisão para perdas esperadas;  
  • Maior volatilidade nos resultados;  
  • Impacto direto no capital regulatório e no índice de Basileia;  
  • Necessidade de integração entre estratégia, precificação, gestão de risco e capital.  

Além do aspecto contábil, o IFRS9 exige processos e sistemas integrados, com controles internos robustos e qualidade de dados.  
Não se trata apenas de mudar a forma de contabilizar perdas, mas de transformar a maneira como a instituição enxerga e administra o risco.    

Desafios da implementação  

A transição para o IFRS9 envolve desafios em diferentes frentes:  

1. Governança e modelagem  

A norma demanda governança corporativa sólida, validação de modelos matemáticos e análises quantitativas consistentes.  
Cada instituição precisa definir políticas de risco compatíveis com seu apetite e desenvolver modelos internos de probabilidade de default (PD), perda dada default (LGD) e exposição no default (EAD).  

2. Dados e tecnologia  

A aderência à norma requer grande volume de dados históricos e macroeconômicos, além da integração entre sistemas de crédito, contabilidade e compliance.  
Sem automação e infraestrutura tecnológica adequada, o processo se torna inviável.  

3. Impacto contábil e de capital  

Como as perdas passam a ser reconhecidas antecipadamente, há maior provisão no curto prazo e necessidade de ajustes no capital regulatório.  
Por outro lado, a médio e longo prazo, o IFRS9 aumenta a previsibilidade e reduz riscos sistêmicos, beneficiando todo o mercado.  

4. Adaptação cultural  

A aplicação da norma requer um novo olhar sobre a gestão de risco — mais preventivo, menos reativo.  
Isso exige treinamento, revisão de processos e integração entre áreas que antes atuavam de forma isolada.    

O papel da tecnologia: de obrigação a diferencial competitivo  

O IFRS9 deve ser visto como uma oportunidade de modernização tecnológica.  
As instituições que investem em automação, integração de dados e monitoramento inteligente ganham eficiência e confiança dos investidores.  

Nesse contexto, plataformas robustas como as soluções da Função Sistemas se tornam essenciais.  
  

Elas permitem que bancos e fintechs:  

– Automatizem os cálculos de provisão e classificações contábeis;  

– Monitorem indicadores de risco em tempo real;  

– Realizem simulações de cenários econômicos;  

– Padronizem informações contábeis e regulatórias;  

– Garantam rastreabilidade e conformidade integral com as normas do BACEN.  

Ao unir tecnologia, governança e conhecimento profundo do crédito, a Função Sistemas oferece o suporte necessário para que a adaptação ao IFRS9 se converta em vantagem estratégica.    

Como o IFRS9 transforma a relação entre risco, crédito e contabilidade  

Uma das maiores virtudes do IFRS9 é promover a integração entre áreas antes desconectadas.  
Agora, o ciclo do crédito, da concessão à recuperação, deve estar alinhado à contabilidade e à gestão de capital.  

Essa convergência amplia a visibilidade dos riscos e permite uma precificação mais justa e aderente à realidade de cada cliente.  
Em vez de agir apenas quando a inadimplência ocorre, as instituições passam a agir preventivamente, ajustando limites, taxas e garantias de forma mais inteligente.  

O resultado é um mercado mais sustentável, com operações transparentes, decisões baseadas em dados e maior confiança dos investidores e reguladores.  

  

Perspectivas para o futuro  

Com o cronograma do Banco Central em vigor, o Brasil entra definitivamente em um novo patamar de maturidade regulatória.  
Nos próximos anos, a tendência é que as instituições ampliem o uso de modelos preditivos, análise de dados avançada e inteligência artificial para aperfeiçoar a mensuração de perdas esperadas.  

O IFRS9 será, cada vez mais, o ponto de partida para inovações em gestão de risco e capital, e não apenas uma obrigação contábil.    

Transparência e tecnologia como pilares de confiança  

A adoção do IFRS9 representa um avanço importante para a solidez do sistema financeiro.  
Ao padronizar conceitos de risco e aproximar a contabilidade da realidade econômica, a norma fortalece a confiança de investidores, regulações e do próprio mercado.  

Para bancos, fintechs e instituições que desejam crescer de forma segura, o caminho é claro: integrar tecnologia, dados e gestão contábil em uma única estrutura.    

Como a Função Sistemas pode apoiar sua operação  

A Função Sistemas atua há mais de 35 anos desenvolvendo plataformas de crédito robustas, seguras e aderentes às normas do Banco Central.  
Com módulos que cobrem concessão, precificação, risco, compliance e contabilidade, suas soluções ajudam instituições a se adaptarem ao IFRS9 com eficiência e conformidade total.  

Fale com nossos especialistas e descubra como transformar o IFRS9 em uma oportunidade de evolução para sua instituição.    

Fonte:  
https://www.pwc.com.br/pt/setores-de-atividade/financeiro/2019/f252-ifrs9-banco-19.pdf  

Veja também

março 17, 2026

Corporate: tecnologia e eficiência para o crédito corporativo 

Como as soluções Corporate da Função Sistemas fortalecem a gestão de crédito para empresas, com segurança, integração e conformidade regulatória. 
Conheça mais
março 17, 2026

IFRS9: o que muda para bancos, fintechs e operações de crédito

Adaptação das instituições às exigências contábeis e tecnológicas – base em artigo já publicado.  
Conheça mais
março 17, 2026

Como a tecnologia está transformando o crédito consignado no Brasil.

Evolução da automação e integração nas operações de crédito e o papel da Função Sistemas nesse processo. 
Conheça mais

_Entre em contato com
nosso time de especialistas






    Nossas Soluções
    Entre em contato com nosso time de especialistas