Um novo marco para a contabilidade e o crédito
No início de 2025, entrou em vigor o cronograma de incorporação do IFRS9 no capital regulatório brasileiro, representando um marco de modernização e transparência nas operações financeiras.
A norma, que substitui o antigo IAS 39, redefine a maneira como bancos, fintechs, SCD’s e instituições financeiras mensuram e reconhecem riscos de crédito, tornando o sistema contábil mais alinhado às práticas internacionais e à realidade econômica de cada ativo.
Mais do que uma atualização técnica, o IFRS9 simboliza uma mudança de mentalidade: sai o modelo de perdas incorridas e entra o modelo de perdas esperadas, que antecipa cenários e exige integração total entre áreas contábil, de risco e tecnologia.
O que é o IFRS9 e por que ele é importante
O International Financial Reporting Standard 9 (IFRS9) é a norma internacional de instrumentos financeiros que define como ativos e passivos devem ser classificados, mensurados e provisionados.
Aplicada desde 2018 em diversos países, sua adoção no Brasil pelo Banco Central reforça a busca por um mercado mais confiável, auditável e comparável.
Entre suas principais inovações, destacam-se:
- Classificação e mensuração de ativos financeiros com base em três categorias:
- Custo amortizado;
- Valor justo por meio de outros resultados abrangentes (VJORA);
- Valor justo por meio do resultado (VJR).
- Novo modelo de impairment baseado em perdas esperadas (Expected Credit Loss – ECL), com estágios progressivos de risco.
- Abordagem aprimorada para hedge accounting, que aproxima a contabilidade das práticas de gestão de riscos.
Segundo a PwC Brasil, o IFRS9 traz um modelo mais próximo da realidade econômica das instituições, integrando risco, concessão, precificação e capital em uma estrutura unificada.

Modelo de perdas esperadas: a principal mudança
A grande transformação do IFRS9 está na forma como as perdas são reconhecidas.
Antes, as instituições provisionavam apenas perdas incorridas. Ou seja, quando o evento de inadimplência já havia ocorrido.
Agora, o modelo de perdas esperadas (Expected Credit Loss – ECL) exige que a instituição antecipe o risco com base em cenários macroeconômicos, histórico de crédito e probabilidade de default (PD).
Os três estágios do modelo de perdas esperadas
- Estágio 1: ativos sem problema de recuperação:
- Perdas de 12 meses desde o reconhecimento inicial;
- Atrasos inferiores a 30 dias.
- Estágio 2: ativos com aumento significativo do risco de crédito:
- Perdas mensuradas pela vida total do ativo;
- Atrasos acima de 30 dias ou deterioração na qualidade do crédito.
- Estágio 3: ativos com problema de recuperação (impaired):
- Perdas mensuradas pela vida total;
- Atrasos acima de 90 dias ou indicadores qualitativos de inadimplência.
Essa estrutura cria uma visão gradual e dinâmica do risco, em que cada ativo pode migrar de estágio conforme sua evolução, permitindo uma gestão mais precisa das provisões.
Convergência com o Banco Central e o impacto regulatório
O Banco Central do Brasil (BACEN), por meio dos Editais nº 54/2017 e nº 60/2018, iniciou o processo de convergência da regulação contábil nacional às normas internacionais.
A partir dessa adoção, as instituições autorizadas passam a seguir critérios mais rigorosos para mensurar perdas, mitigar riscos e calcular o capital de nível 1 (CET1).
Principais impactos da convergência:
- Aumento da provisão para perdas esperadas;
- Maior volatilidade nos resultados;
- Impacto direto no capital regulatório e no índice de Basileia;
- Necessidade de integração entre estratégia, precificação, gestão de risco e capital.
Além do aspecto contábil, o IFRS9 exige processos e sistemas integrados, com controles internos robustos e qualidade de dados.
Não se trata apenas de mudar a forma de contabilizar perdas, mas de transformar a maneira como a instituição enxerga e administra o risco.
Desafios da implementação
A transição para o IFRS9 envolve desafios em diferentes frentes:
1. Governança e modelagem
A norma demanda governança corporativa sólida, validação de modelos matemáticos e análises quantitativas consistentes.
Cada instituição precisa definir políticas de risco compatíveis com seu apetite e desenvolver modelos internos de probabilidade de default (PD), perda dada default (LGD) e exposição no default (EAD).
2. Dados e tecnologia
A aderência à norma requer grande volume de dados históricos e macroeconômicos, além da integração entre sistemas de crédito, contabilidade e compliance.
Sem automação e infraestrutura tecnológica adequada, o processo se torna inviável.
3. Impacto contábil e de capital
Como as perdas passam a ser reconhecidas antecipadamente, há maior provisão no curto prazo e necessidade de ajustes no capital regulatório.
Por outro lado, a médio e longo prazo, o IFRS9 aumenta a previsibilidade e reduz riscos sistêmicos, beneficiando todo o mercado.
4. Adaptação cultural
A aplicação da norma requer um novo olhar sobre a gestão de risco — mais preventivo, menos reativo.
Isso exige treinamento, revisão de processos e integração entre áreas que antes atuavam de forma isolada.
O papel da tecnologia: de obrigação a diferencial competitivo
O IFRS9 deve ser visto como uma oportunidade de modernização tecnológica.
As instituições que investem em automação, integração de dados e monitoramento inteligente ganham eficiência e confiança dos investidores.
Nesse contexto, plataformas robustas como as soluções da Função Sistemas se tornam essenciais.
Elas permitem que bancos e fintechs:
– Automatizem os cálculos de provisão e classificações contábeis;
– Monitorem indicadores de risco em tempo real;
– Realizem simulações de cenários econômicos;
– Padronizem informações contábeis e regulatórias;
– Garantam rastreabilidade e conformidade integral com as normas do BACEN.
Ao unir tecnologia, governança e conhecimento profundo do crédito, a Função Sistemas oferece o suporte necessário para que a adaptação ao IFRS9 se converta em vantagem estratégica.
Como o IFRS9 transforma a relação entre risco, crédito e contabilidade
Uma das maiores virtudes do IFRS9 é promover a integração entre áreas antes desconectadas.
Agora, o ciclo do crédito, da concessão à recuperação, deve estar alinhado à contabilidade e à gestão de capital.
Essa convergência amplia a visibilidade dos riscos e permite uma precificação mais justa e aderente à realidade de cada cliente.
Em vez de agir apenas quando a inadimplência ocorre, as instituições passam a agir preventivamente, ajustando limites, taxas e garantias de forma mais inteligente.
O resultado é um mercado mais sustentável, com operações transparentes, decisões baseadas em dados e maior confiança dos investidores e reguladores.

Perspectivas para o futuro
Com o cronograma do Banco Central em vigor, o Brasil entra definitivamente em um novo patamar de maturidade regulatória.
Nos próximos anos, a tendência é que as instituições ampliem o uso de modelos preditivos, análise de dados avançada e inteligência artificial para aperfeiçoar a mensuração de perdas esperadas.
O IFRS9 será, cada vez mais, o ponto de partida para inovações em gestão de risco e capital, e não apenas uma obrigação contábil.
Transparência e tecnologia como pilares de confiança
A adoção do IFRS9 representa um avanço importante para a solidez do sistema financeiro.
Ao padronizar conceitos de risco e aproximar a contabilidade da realidade econômica, a norma fortalece a confiança de investidores, regulações e do próprio mercado.
Para bancos, fintechs e instituições que desejam crescer de forma segura, o caminho é claro: integrar tecnologia, dados e gestão contábil em uma única estrutura.
Como a Função Sistemas pode apoiar sua operação
A Função Sistemas atua há mais de 35 anos desenvolvendo plataformas de crédito robustas, seguras e aderentes às normas do Banco Central.
Com módulos que cobrem concessão, precificação, risco, compliance e contabilidade, suas soluções ajudam instituições a se adaptarem ao IFRS9 com eficiência e conformidade total.
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Fonte:
https://www.pwc.com.br/pt/setores-de-atividade/financeiro/2019/f252-ifrs9-banco-19.pdf